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Amadores aliam esporte e carreira estudando no exterior

09/07/2020

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Que o esporte abre portas na vida, ninguém duvida. Com o golfe, não é diferente. Hoje o Brasil conta com mais de 10 atletas em formação estudando no exterior, em sua maioria fazendo faculdade nos Estados Unidos. São nomes como Rohan Boettcher, Lauren Grinberg, as irmãs Laura e Luiza Caetano e Daniel Celestino, que buscam conciliar a carreira esportiva em alto nível com os estudos.

A pandemia do novo coronavírus impactou diretamente nos treinamentos de todos nos últimos meses, e, de alguma maneira, também nos estudos. Como a situação ainda não é a ideal, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, cada atleta tem uma programação diferente para o próximo período letivo.

Rohan Boettcher, que estuda finanças corporativas e contabilidade (corporate finance and accounting) na Winthrop University, em Rock Hill, na Carolina do Sul, está entrando em seu último ano de faculdade. As aulas estão previstas para retornar dia 24 de agosto, mas o calendário ajustado, sem feriados e com as aulas acabando ainda em novembro (2 semanas antes do normal). “Minha universidade está adotando um sistema híbrido, o que significa que algumas aulas serão presenciais e outras online”, afirma. “A NCAA (liga universitária) não divulgou nada oficial ainda de como o calendário será adaptado para esse próximo ano letivo. Os times estão se preparando para jogar, e com a gente não é diferente. Estou treinando e me preparando o máximo possível para dar o meu melhor em meu senior year”, complementa.

Independente do anúncio, as mudanças no calendário são esperadas. Rohan cita, por exemplo, um torneio disputado anualmente no Firestone Country Club, em Ohio, que foi cancelado porque a faculdade anfitriã do torneio cortou custos por causa do impacto financeiro que o coronavírus está tendo nas universidades.

Enrico Rissi, que estuda engenharia mecânica na IUPUI (Indiana University – Purdue University Indianápolis), tem previsão de retorno das aulas no dia 6 de agosto, também no sistema híbrido (maioria on-line e algumas aulas e provas presenciais). “Durante o isolamento social, montamos umas redes provisórias em casa para treinar e usamos grama artificial para praticar o putt, também fizemos sessões de academia em casa com vários itens improvisados. Aos poucos voltamos a treinar só no campo. já que os driving ranges estavam fechados, os clubhouses também estavam fechados e não dava para fazer muito. Agora já podemos treinar com normalidade, sempre mantendo uma distância de segurança e usando máscara em lugares fechados como clubhouses ou academias”, ressalta.

Já sua irmã, Nina Rissi, tem o reinício das aulas no dia 2 de setembro. “Vamos ter que voltar com uma semana de antecedência, para fazer quarentena. Por enquanto, tenho todas minhas aulas on-line, mas nesta semana saiu uma norma do departamento de imigração americano estabelecendo critérios mínimos a se cumprirem de aulas presenciais, para manter o visto de estudante. Então vou ter que achar o jeito de me inscrever em aulas presenciais para poder cumprir os requisitos”. Em setembro, Nina entra no seu segundo ano na Michigan State University, cursando Supply Chain.

Lauren Grinberg, que cursa Applied Sports and Exercise Science na Barry University, é outra que terá que viajar mais cedo para os Estados Unidos. “Como estou com visto de estudante, posso entrar no país, mesmo com as restrições, mas tenho que ficar 14 dias em isolamento quando chegar”, afirma. “Muitas escolas estão prorrogando as aulas on-line até o final do ano, a minha não. As aulas devem voltar dia 31 de agosto e os campeonatos na primeira semana de outubro”. Lauren e o irmão, Guilherme, passaram o período de isolamento social com os pais e conseguiram manter os treinamentos de campo no condomínio, sempre de forma segura e com distanciamento social.

As irmãs Laura e Luiza Caetano, que estudam respectivamente construction engineering technology e art and design na Purdue University Fort Wayne, fizeram seus treinamentos dentro de casa durante a pandemia. “Focamos mais no putter e alguns exercícios físicos, dentro de casa mesmo. Agora no segundo semestre, começando em agosto, vamos ter aulas presenciais, mas seguindo vários procedimentos de segurança e distanciamento social”, afirma Laura.

Gabriel Velasco, que terminou seu segundo ano na Savannah College of Arts and Design (SCAD), na Georgia, disputa da disputa a liga NAIA e geralmente joga seis torneios por semestre, ao redor da Georgia, Florida e Carolina do Sul. “Durante a quarentena, segui treinando dentro do possível, procurando me proteger ao máximo em relação ao vírus. Recebi exercícios direcionados pela faculdade no golfe, na academia e treinos de corrida frequente”, afirma. “Em setembro, está tudo certo com a faculdade para voltar com os treinamentos de golfe e aulas presenciais. Ainda não sei como vou fazer para ir para os Estados Unidos, a princípio terei que fazer a quarentena em um outro país antes de ir para Savannah. Tenho México ou Portugal como principais escolhas”.

Já Fred Biondi, que vive com sua família na Flórida, tem retorno previsto das aulas em 1º de setembro. Ele estuda business finance na Universidade da Flórida. “Por enquanto terei aulas presenciais e a distância (on-line), mas morando na faculdade”, destaca. “No começo da pandemia era difícil treinar na Flórida, mas já tem dois meses que os campos abriram e os torneios voltaram. Estou treinando normalmente já fazem um mês”, finaliza.

Nova geração se prepara para iniciar os estudos após a pandemia

Além dos golfistas amadores brasileiros que já estão estudando e aprimorando seu golfe no exterior, uma nova geração se prepara para iniciar o mesmo processo, mas ainda sofrendo os impactos da pandemia. Thomas Choi vai fazer o curso de bussines na Indian Hills Community College. As aulas iniciam dia 31 de agosto, porém ele não vai poder comparecer presencialmente, por conta do visto. “Estou prevendo ir para novembro, até lá vou optar por aulas on-line”, destaca Choi. “Neste período de quarentena fiz o possível pra poder treinar, alguns campos no interior ficaram abertos, mas em geral optei por exercícios mentais e físicos, retornando aos treinos no meu clube só agora”.

Em situação parecida está Lucas Park, que está com contrato assinado com a Jacksonville State University, mas ainda aguarda a embaixada norte-americana reabrir para tirar seu visto. “A ideia é ir o mais rápido possível para lá, mas se não for possível, terei que começar as aulas on-line”.

A questão do treinamento durante a pandemia foi diferente para cada atleta. Beatriz Junqueira, que a partir de janeiro vai estudar Business Administration na Indiana University, aproveitou as parcerias da CBGolfe da melhor maneira possível. “Quando eu percebi que a pandemia ia durar mais tempo, falei com o COB e com as meninas da Tiro Certo para fazermos um trabalho de pré-temporada. Por seis semanas eu malhei duas vezes por dia, cinco vezes por semana. Faz duas semanas que isso acabou e eu voltei a aumentar a carga do treino de golfe. Não vejo a hora de competir de novo, tenho certeza de que vou estar pronta quando isso acontecer”, destaca Beatriz.

Além deles, quem também vislumbra conciliar os estudos com o golfe em alto nível é Guilherme Grinberg, irmão de Lauren. Recentemente ele fechou um acordo verbal com a Flórida Atlantic, em Boca Raton. “É uma faculdade grande, gostei muito do coach e ainda vou estar perto da minha irmã, o que também fez a diferença na escolha”. Gui deve iniciar a faculdade em agosto de 2021 e espera que até lá as aulas sejam presenciais, com a situação da pandemia controlada.

Fonte: Confederação Brasileira de Golfe